Eixo III. Produção de conhecimento em saúde mental: ensino, pesquisa, epistemologia e paradigmas
Andréa Luiza da Silveira, mestre em Engenharia de Produção, Psicóloga, Professora das Faculdades Integradas da Rede de Ensino UNIVES – FACVEST
O psicodiagnóstico será pontuado, para os fins deste resumo, em suas bases epistemológicas concomitantemente ao seu contexto histórico. Espera-se, desta forma, como resultado, apontar a problemática que envolve o modelo de psicodiagnóstico que viabilize o desenho do tratamento. Há uma necessidade histórica, atual, de uma concepção de psicodiagnóstico que instrumentalize os profissionais que atuam no sistema público de saúde mental. O positivismo com Kraepelin entre o séc. XIX e XX, expressa o sistema classificatório das então conhecidas “doenças mentais” para dar lugar, no séc. XX aos Manuais que caracterizam os “transtornos” com a influência da Fenomenologia de Husserl traduzida por Jaspers, possibilitando uma psicopatologia autônoma. A classificação das doenças mentais promovida por Kraepelin teve sua importância histórica, sobretudo, ao romper com a mistificação em torno do doente que havia na Idade Média. Jaspers delimita a abordagem compreensiva através da qual se obtêm o sentido da experiência do sujeito que sofre. Ele deixa um espaço aberto no âmbito da ciência psicológica e da psiquiatria para novas formas de diagnosticar que não, exclusivamente, a classificatória. Assim, na metade do sec. XX novas experiências sobre a compreensão do sofrimento e tratamento sejam implementadas, como exemplo a obra de Laing e Cooper. O psicodiagnóstico afirma-se como uma alternativa para a psicologia, sobretudo, no que se refere à prática clínica, contrapondo-se a exclusividade da psicometria. O psicodiagnóstico torna-se importante tanto para a identidade profissional do psicólogo quanto uma parte fundamental da prática clínica. A questão que se apresenta e que se repete nos textos recentes que tratam do assunto é: como abordar e levar em conta os sentidos que o sujeito que sofre produz? Como descrever e compreender a experiência que permeia e é permeada por esses sentidos? Como compartilhar tal psicodiagnóstico entre os profissionais que atendem o mesmo sujeito no sistema público de saúde mental? O existencialismo sartreano com sua psicanálise existencial oferece uma alternativa que é fundar o psicodiagnóstico numa biografia. A psicanálise existencial sustentada pelo método progressivo regressivo descreve e compreende o sujeito que sofre no mundo, com os outros, numa certa relação com o seu próprio corpo e com a temporalidade. Assim, contemplam-se, por um lado, as relações de exterioridade que compõem o psicodiagnóstico e que são classificadas e, por outro lado, as relações de interioridade, isto é, este sujeito no mundo, este sujeito que sofre e que sempre faz algo de si mesmo.
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